Índios fazem ajuda humanitária entrar na Venezuela

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Envio de alimentos e remédios virou centro da crise no país

As ajudas humanitárias internacionais pedidas pelo autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, mas rechaçadas pelo mandatário em exercício, Nicolás Maduro, estão no centro da crise no país.

Guaidó fixou em 23 de fevereiro a data da operação de coleta de alimentos e medicamentos nas fronteiras venezuelanas, e o governo chavista reforçou os bloqueios, alegando que o objetivo das ajudas é abrir caminho a uma intervenção militar.

No entanto, indígenas da Amazônia encontraram um modo para furar os bloqueios de Maduro e conseguiram fazer itens de primeira necessidade entrarem pelos rios Negro (Guainía na Colômbia), Orinoco e Atabapo.

“Deixem os alimentos e remédios na fronteira, que nós os faremos chegar a nossos irmãos indígenas que mais precisam”, disse no Twitter Liborio Guarulla, ex-governador do estado venezuelano de Amazonas e membro da etnia baniwa. “Não morreremos por causa de um governo que nos nega comida, medicamentos e combustível”, acrescentou.

Na ponte Las Tienditas, fronteira com a Colômbia, o governo Maduro instalou novos postos de bloqueio para impedir a passagem de ajudas. O presidente em exercício nega a existência de uma crise humanitária em seu país e acusa Donald Trump de querer transformar a Venezuela em uma “nação de mendigos”.

“Por que ele não ajuda os 40 milhões de pobres dos Estados Unidos?”, questionou. Em Washington, os participantes de uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) convocada por Guaidó prometeram contribuir com US$ 100 milhões em alimentos e remédios.

O encontro reuniu 60 delegações de todo o mundo, entre governos, órgãos multilaterais e entidades privadas, e representantes de EUA, Brasil, Colômbia, Panamá, Alemanha, Holanda, Reino Unido, Canadá, Argentina e Taiwan.

Outra frente foi aberta nas Nações Unidas (ONU), onde o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, anunciou a criação de um grupo de países que se mobilizarão para “defender a soberania, o direito internacional e os direitos humanos”. A lista de aliados inclui Rússia, Síria, China, Cuba, Bolívia, Irã, Nicarágua, Coreia do Norte e Palestina.

Sobre 23 de fevereiro, Arreaza prometeu “defender cada milímetro de território, no caso de operações não compartilhadas” pelo governo Maduro. (ANSA)