Internada desde os 6 meses de vida, criança volta para casa após mais de 2 anos em hospital da PB

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Criança deixou hospital na quarta-feira (13), após mais de 2 anos internada na unidade de saúde em Campina Grande — Foto: Ascom/Trauma Campina Grande

Uma criança voltou para casa após mais de dois anos internada no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande. Maria Tereza Costa, de 2 anos e 7 meses, é portadora de Atrofia Muscular Espinhal (AME) e estava na unidade de saúde desde os seis meses de idade. Com a ajuda da população da cidade natal, Soledade, no Agreste, e de outras pessoas do país, a mãe da menina conseguiu pagar o tratamento da criança e, na quarta-feira (13), pode retornar para casa com a filha.

De acordo com o hospital, com a ajuda financeira dada por essas pessoas, Maria Tereza retornou para o convívio familiar com a ajuda do “home care”, uma equipe de saúde que irá acompanhá-la na casa. Para a mãe, Rosalva Barros da Costa, não é possível descrever a felicidade de poder levar a filha de volta para casa.

“Só tenho a agradecer a todos que contribuíram para essa alegria, em especial à população da cidade de Soledade e de todo o Brasil, que através de campanha nas redes sociais estão nos ajudando a ter acesso a esses aparelhos em casa”, disse Rosalva Barros da Costa, mãe de Maria Tereza.

Na manhã desta quinta-feira (14), a mãe da criança contou ao G1 sobre os primeiros dias de adaptação. “Tá sendo muito corrido na questão de ter que organizar tudo, mas estamos todos felizes”, disse.

A família precisou alugar uma casa que pudesse levar a criança e os equipamentos necessários. Segundo Rosalva, a casa própria é humilde e não tinha estrutura nenhuma para ter a menina de volta com a família. “Lá era preciso reformar quase tudo e a gente não tinha como, o dinheiro a gente precisa pra cuidar dela”, salienta.

A cama com os equipamentos foram adaptados e organizados no novo quarto rosa de Maria Tereza. Ao todo, quatro técnicos de saúde se revezam diariamente para os cuidados com a menina, além de médica, enfermeira, fonoaudiólogo e fisioterapeuta que irão visitá-la todas as semanas.

Os três irmão mais velhos também ajudam Rosalva a cuidar de Maria Tereza. “Eles estão muitos felizes também. Os três são guerreiros porque ficavam no hospital com ela quando eu precisava ir em casa cuidar das coisas”, relata.

Menina estava no hospital desde os 6 meses

Quando chegou ao hospital, a menina tinha apenas 6 meses e permaneceu todo esse tempo sob os cuidados de uma equipe multiprofissional na Unidade de Tratamento Intensivo Pediátrica. Rosalva conta que, durante esse tempo que a filha passou internada, chegava a passar oito dias na unidade de saúde sem poder ir em casa visitar o companheiro e os outros três filhos.

“É uma batalha diária, mas é tudo por ela. Essa força da gente lutar e correr é Deus”, afirma Rosalva Costa.

A AME é uma doença rara e genética com sintomas de fraqueza muscular generalizada desde o nascimento. A neurologista infantil do hospital, Claudia Ribeiro Leão, explica que o principal problema é a dificuldade de uma respiração espontânea, em que é necessário o auxílio de aparelhos. “O quadro é crônico e necessita de acompanhamento com fisioterapeuta, fonoaudiólogo e médico”, disse a médica.

A mãe agradeceu aos profissionais do hospital pela dedicação à filha nesse período que esteve internada na unidade de saúde. “Aqui a gente se tornou família e eu só tenho a agradecer”.

Rosalva diz ainda que a medicação para o tratamento constante é cara e que agora a luta é para que a família consiga pelo SUS. “Já demos entrada pra isso, agora é confiar em Deus. Já tivemos essa alegria do home care, e se Deus quiser vamos em busca da medicação necessária para o tratamento”, finalizou.

G1