Nicolás Maduro toma posse para segundo mandato como presidente da Venezuela

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Nicolás Maduro recebe faixa presidencial durante cerimônia de posse como presidente da Venezuela — Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Nicolás Maduro prestou juramento para seu segundo mandato na presidência na Venezuela nesta quinta-feira (10), em cerimônia no Tribunal Supremo de Justiça do país. Isso porque a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, não reconhece a legitimidade do novo período do chavista no poder, que deve durar até 2025.

Logo após prestar juramento, já com a faixa presidencial, Maduro criticou opositores durante discurso. O presidente reeleito disse que a Venezuela está no “centro de uma guerra mundial”, conflito que, nas palavras dele, é travado por “governos satélites dos Estados Unidos”.

“Não há um só país onde não haja uma campanha persistente, diária, permanente, de 20 anos de manipulação contra o comandante [Hugo] Chavez e este humilde trabalhador”, declarou Maduro.

No discurso, o venezuelano insistiu na crítica aos países vizinhos com presidentes opositores a Maduro, como o Brasil e a Colômbia. “Veja o caso do Brasil, o surgimento de um fascista como Jair Bolsonaro”, atacou.

Sobre a Colômbia, cujo presidente Iván Duque também se opõe ao regime chavista, Maduro disse: “Quem libertou a Colômbia foi o exército de [Simon] Bolívar, não do Capitão América”.

“Eu creio que têm medo. Têm medo de nós, de nos encontrar cara a cara, de escutar nossa verdade”, afirmou Maduro.

A oposição política venezuelana e diversos países – entre eles, os Estados Unidos, o Canadá e os membros do Grupo de Lima, do qual o Brasil faz parte – não reconhecem a legitimidade do novo mandato de Maduro. A Organização dos Estados Americanos (OEA) também declarou, nesta tarde, que não vai reconhecer o governo do socialista.

A maioria dos países latino-americanos, incluindo o Brasil, além de Estados Unidos e nações da União Europeia, não enviaram nenhum representante para a posse. Nesta tarde, o Paraguai rompeu relações com a Venezuela.

ANÁLISE: O que esperar do novo mandato de Nicolás Maduro?

Por outro lado, estiveram presentes os líderes da Bolívia, Evo Morales; da Nicarágua, Daniel Ortega; de Cuba, Miguel Díaz-Canel; e de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén. Pelo Brasil, a deputada federal eleita e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, compareceu à cerimônia.

De acordo com o jornal “El Universal”, também compareceram: o secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e delegações de Irã, Trinidad e Tobago, Irlanda, Bielorrússia, Rússia, Argélia e África do Sul. O vice-presidente da Turquia, Fuat Oktay, também acompanha a cerimônia.

Maduro conta com o apoio do Supremo e a “lealdade absoluta” da Força Armada Nacional Bolivariana, declarada pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino.

Contrariando a Constituição, o juramento não foi feito perante a Assembleia Nacional, de maioria opositora: assim como o órgão não reconhece a legitimidade de sua eleição, Maduro também não aceita a autoridade da Casa e considera que o Parlamento está em “situação de desacato”.

Capital mobilizada para posse

Caracas e outras cidades do país amanheceram com agentes da Força Armada Nacional nas ruas, de acordo com o jornal “El Universal”. Na capital, há reforço de segurança no entorno da sede do Supremo e em estações de metrô.

Os apoiadores do presidente estão concentrados em diversos pontos no centro da capital venezuelana para presenciar o evento, como mostrou a Telesur, TV multiestatal com sede na Venezuela. De acordo com a agência Reuters, ativistas da oposição convocaram protestos para esta quinta-feira.

Eleição contestada

Maduro foi reeleito em maio do ano passado, com quase 70% dos votos, em eleição que foi boicotada pela oposição, teve alta abstenção e denúncias de fraude.

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) se recusou a participar do pleito por considerar o processo uma “fraude” para perpetuar Maduro no poder. Os dois maiores rivais de oposição já estavam impedidos de concorrer: Leopoldo Lopez está preso e Henrique Capriles foi impedido de se candidatar a qualquer cargo por um período de 15 anos.