Peixes-bois marinhos são transferidos de PE para readaptação em APA na Paraíba

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Área de Proteção Ambiental (APA) da Barra do Rio Mamanguape, localizada no litoral norte paraibano, é uma das áreas de uso do peixe-boi marinho — Foto: Enrico Marcovaldi/Acervo FMA

Após uma viagem de mais de cerca de três horas e pouco mais de 140 quilômetros, dois peixes-bois marinhos chegaram nesta quarta-feira (17) à Área de Proteção Ambiental (APA) da Barra do Rio Mamanguape, no Litoral Norte paraibano.

“Vitória” e “Parajuru” foram transferidos do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene/ICMBio), na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco, e vão passar por uma etapa de readaptação ao ambiente natural para em seguida serem reintroduzidos na natureza.

“Vitória” tem quatro anos de idade e foi resgatada ainda filhote no dia 1º de janeiro de 2015, na Praia do Oiteiro, dentro da APA da Barra do Rio Mamanguape. “Parajuru”, um macho de seis anos, foi encontrado também ainda filhote, encalhado na praia de Parajuru, em Beberibe, no Ceará, em janeiro de 2013. Ambos os animais foram levados para a Ilha de Itamaracá para serem tratados e acompanhados.

De acordo com João Carlos Gomes Borges, coordenador do projeto Viva o Peixe-Boi Marinho, o processo de readaptação dos animais ao ambiente natural é extremamente importante para a conservação da espécie, que está em perigo de extinção no Brasil. Para João Carlos, a APA da Barra do Rio Mamanguape é uma região propícia para essa reintegração.

“É um local que ainda dispõe dos principais atributos ecológicos que propiciam à existência da espécie, contando com um importante estuário, ambiente marinho, fontes de alimentação, qualidade hídrica, águas calmas e protegidas”, diz.

“Vitória” e “Parajuru” são os primeiros moradores do espaço para readaptação de peixes-bois marinhos em ambiente natural, que foi inaugurado nesta quarta-feira na APA da Barra do Rio Mamanguape. O local começou a ser construído em outubro de 2018 e foi concluído em março deste ano.

Dentro das normas estabelecidas e em horários determinados, o cativeiro em ambiente natural vai ser aberto para visitação da comunidade e de turistas que pretendem conhecer a região. O objetivo é contribuir na sensibilização e conscientização da sociedade sobre a importância da conservação da espécie.

Além de “Vitória” e “Parajuru”, a APA da Barra do Rio Mamanguape tem outros animais que já foram reintroduzidos e utilizam a área, a exemplo de “Mel” (que tem 15 anos), “Puã” (14 anos), “Zelinha” (16 anos) e “Iara” (12 anos). Eles são monitorados diariamente por equipes de pesquisadores, com auxílio de tecnologia por satélite e VHF e são acompanhados por avaliações clínicas periódicas.

G1